6/05/2014

Criminal Capítulo 4 – “Sou apenas a garçonete”





O carpete vermelho ia até o final do corredor, e meus saltos pretos batucaram contra o chão de mármore cintilante. Senti poucos olhares sobre mim e Alfred enquanto íamos em direção a fila de convidados, parando bem atrás de uma senhora engraçada de chapéu na cabeça.
Coloquei a máscara azul brilhante sobre meu rosto, ajeitando-a perfeitamente sobe meus olhos. Alfred me olhou pelo canto dos olhos e riu.
– Máscara? – ele perguntou.
– Sim. – respondi, indiferente.
– Acha que não vão achar estranho? Uma menina de máscara no meio de todos e, do nada, um dos convidados morrerem?
– Podem até achar estranho... Mas não saberão que sou eu. – disse calma e Alfred ergueu as sobrancelhas, concordando com a meu raciocínio.
– Nomes? – um homem que segurava um mini tablet  perguntou assim que nos aproximamos.
Olhei para Alfred. Tinha me esquecido desse pequeno grande detalhe, e era por isso que essas partes inteligentes sempre ficavam para o meu parceiro.
– Sou Alababi Howdnyks! – falou.
O homem observou a lista digital com o cenho franzido e quando pareceu achar o nome, seus olhos se arregalaram surpresos. Até eu ficara surpresa.
– Podem passar. – ele disse, dando um sinal para o segurança ao lado, que puxou a cordinha vermelha e nos deixou entrar no salão já lotado.
– Alababi How...fgdfbdnyks? Que tipo de nome é esse? – perguntei, não tendo sucesso em pronunciar o estranho nome.
– É o meu personagem, ué! E antes que me pergunte, eu fiz uma pesquisa e Alababi Howdnyks é um padre do Paquistão... Ele foi convidado, utilizei meus contatos e acidentalmente o avião dele pousou no lugar errado!
– Certo... Vou fingir que não é estranho o fato de um padre do Paquistão vir para uma festa de caridade.
– Ele é padre, não é? Isso explica tudo. – realmente, tive que concordar – Ei, ei, ei!! Olha lá! – seus dedos apontaram para o meio do salão.
Segui meu olhar até chegar a um grupo de cinco meninos bem vestidos. Eles tinham taças de champanhes nas mãos e um deles estava com metade de alguma coisa na boca. Ele parecia não se importar, enquanto os outros riam dessa situação.  Os cabelos loiros estavam em um topete delicado e, pelo o que parecia, macio; os olhos azuis vidrados nos colegas rindo. Lembrei seu nome automaticamente: Niall.
– Se me dá licença, tenho trabalho a fazer. – pisquei para Alfred, soltando seus braços e pegando uma taça de vinho que passava com um garçom, virando tudo garganta a baixo.
Andei até uma mesa cheia de petiscos e foquei em uma bandeja com alguns doces feitos de laranja que não tinham uma aparência agradável, sendo que ninguém havia pegado um até então. Com cautela, tirei o pequeno frasquinho da bolsa e joguei lentamente pelos doces, deixando-os cobertos pelo pó branco. Quem visse, acharia que era açúcar.
Ajeitei meus cabelos e puxei o decote do vestido mais para baixo. Então, peguei a bandeja e caminhei em direção à roda dos cinco garotos arrumados.
– Laranjin? – inventei um nome qualquer, enfiando a bandeja entre os cinco, que pararam de falar na hora e passaram a me encarar.
O de cabelos mais ondulados, Harry, esbugalhou os olhos e deu um cutucão em Niall, que ainda estava com metade do petisco na boca. Seus olhos passaram da bandeja para meu decote, do meu decote para meu rosto, do meu rosto para a bandeja, e assim por diante.
– Laran o quê? – perguntou Liam, limpando a garganta em seguida.
– Laranjin. Um doce característico do Haiti. – menti, passando meus olhos por cada um até parar em Zayn – É uma delícia. – olhei fixamente em seus olhos, mordendo inocentemente meus lábios.
O garoto a minha frente arqueou a sobrancelha. Seus olhos peculiares se estreitaram levemente, me analisando. Ele abriu um sorriso de lado, dando uma risada fraca e debochada em seguida.
– Você não tem cara de garçonete. – falou.
– E você não tem cara de que se importa com isso – rebati, sorrindo cínica e oferecendo o doce a ele outra vez.
– Nossa, essa deve ter doído, em cara! – Louis disse rindo do amigo.
Zayn pareceu surpreso com a minha resposta. Ele tinha o rosto mais fino pessoalmente, e seus cabelos eram tão brilhosos como pareciam ser. Usava um terno preto, com uma calça e sapato social da mesma cor. A gravata estava enrolada pelo seu pescoço, não muito apertada, caindo sobre a blusa branca fina e macia. Fiz a melhor expressão sensual que sabia fazer e vi sua língua molhar seus lábios sorrateiramente, seguido por um sorriso maroto discreto.
– Se não vão querer, oferecerei para outra pessoa! – disse calma, desviando o olhar de Zayn e saindo de perto deles.
Quando girei meus pés, dando costas para os cinco, contei mentalmente exatamente dez segundos, sentindo mãos gélidas tocarem meus ombros quentes.
– Espera.
Olhei para trás, fingindo surpresa ao ver Zayn parado a minha frente.
– Vai querer doce? – perguntei confusa.
– Não... – ele negou freneticamente – Quem... Quem é você?
Ri forçadamente, deixando a bandeja em cima de uma mesa vazia a minha esquerda. Peguei um dos doces estranhos e coloquei em suas mãos, mordendo meus lábios em seguida.
– Sou apenas a garçonete. – sorri, olhando mais uma vez fundo em seus olhos – E você é apenas um rapaz que quer doce. – apontei para o “laranjin”.
Fiz menção de me virar outra vez, mas ele logo me impediu.
– Vou te ver de novo, misteriosa e sexy garçonete?  – ele perguntou rindo, debochado.
Dessa vez, eu ri de verdade.
– Não tenho tanta certeza disso. – disse desigual e me afastei dele, levando a badeja pela multidão.
Aquilo tinha sido engraçado. Gostava de fazer jogos assim, era a melhor parte do meu trabalho. Isso e saber que a policia do país todo te procura sem nem ter uma simples pista para te achar.
– Precisava de tudo isso? – Alfred apareceu misteriosamente do meu lado. Levei um susto.
– Meu Deus, Alfred! Dá próxima vez avisa que tá vindo! – reclamei, jogando os doces envenenados dentro de uma lixeira. – E você me conhece... Alias, não dava para dar champanhe envenenada, eles já estavam bebendo... Tive que pensar em outra coisa!
– E essa outra coisa envolvia deixar o cara parecendo um cachorrinho atrás da dona? – soltei uma risada sincera – E como sabe que ele vai comer?
– Alfred... Essa é a melhor parte. – observei Zayn voltando para perto dos amigos de longe – Observe e aprenda.
Zayn chegou ao lado de Louis, que parecia falar algo muito importante (todos estavam vidrados nele), e ficou observando o doce em mãos. Ele aproximou a comida envenenada, cheirando e fazendo uma careta duvidosa. Continuou encarando, encarando, encarando, até que deu de ombro e começou a levar o doce à boca.
Sorri vitoriosa e quando ia me virar para rir de Alfred, uma mulher bem vestida chegou ao lado dele, roubando o doce e enfiando tudo na boca. Zayn pareceu ofendido e a mulher começou a rir enquanto mastigava e cumprimentava os outros meninos.
Meu queixo parou no chão.
– Eu continuo vendo e não aprendi nada! – Alfred riu pelo nariz. Meu queixo continuava no chão.
– Mas... Eu... Ele... Ela... Eu... Mas... Quem é ela? – perguntei indignada, lembrando depois de alguns segundos da pesquisa que tinha feito – Droga, é a assistente pessoal deles! Não acredito!     
– É, Clarinha, pelo jeito você perdeu o jeito pra coisa... – Alfred ainda ria da minha cara – Quando tempo ela tem de vida?
– Uns vinte minutos no máximo! – cruzei os braços emburrada – Eu falhei... Eu NUNCA falho!
– Correção: você nunca falhava! Para de reclamar e mata logo o menino! A gente pega a grana e dá o fora!
– Não... Precisamos ter calma, lembra? Quanto menos pistas deixarmos, melhor. – resmunguei – Eu poderia jogar ele dá janela...
– Ah meu Deus, Clara?
– Ou, levava ele pra um lugar quieto e quebrar seu pescoço...
– Er... Clara?
– E seu atirasse nele? Não... Chamaria muita atenção e...
– CLARA!
– QUE É, ALFRED? – me descontrolei.
– Temos um problema!
Meu parceiro virou meu corpo para a direção da entrada. Vi o rapaz da lista digital gritando, assim como um cara baixinho e barbudo, com roupa de árabe, tentando passar pela fita vermelha e sendo abordado pelos seguranças.
– EU FUI CONVIDADO! EXIJO ENTRAR! – o baixinho gritava.
– DESCULPE, MAS INVENTAR IDENTIDADE FALSA NÃO ADIANTARÁ NADA!
– EU TENHO A DROGA DO MEU DOCUMENTO AQUI!
Olhei para Alfred em dúvida.
– Clara, o verdadeiro Alababi; Alababi, a Clara. – disse pra mim com uma careta estranha.
– Mas o avião dele não tinha pousado em outro lugar? – perguntei confusa – Onde ele pousou?
Olhei para a porta novamente e agora o homem da lista analisava um papelzinho verde plastificado. Ele olhou por algum tempo e depois cochichou algo com o segurança.
– No Sudão do Sul, mas pelo jeito ele conseguiu carona com Deus. – Alfred agarrou meu braço e saiu me puxando para o outro lado do salão – Vamos embora antes que nos descubram.
Andamos até o outro lado, aonde Alfred me conduziu até uma porta proibida para não funcionários, que dava para uma escadaria. Olhei para trás antes de descer e vi os seguranças perto dos doces olhando em nossa direção.
– Vamos! – falei, correndo escada a baixo e ouvindo Alfred atrás de mim.
Descemos vários lances, passando por algumas máquinas estranhas, e chegando em outra porta, que ao abri-la, demos de cara com o vento congelante do lado de fora. Pulei a pequena diferença entre a porta e o chão e senti automaticamente mãos passarem pelos meus braços e me prensarem de frente a uma parede.
Grunhi ao perceber que era um policial. Provavelmente tinha ficado com o turno do lado de fora e seus coleguinhas policiais do turno no salão avisaram-no de estranhos descendo as escadas.
Alfred se juntou a mim na parede. O policial começou a me revistar, passando as mãos pelo meu vestido. Quando chegou em minha coxa, ele parou ali e senti suas mãos pressionarem a arma presa no suporte.
– Que foi? Gostou do que sentiu? – ri pelo nariz e ele me virou bruscamente de frente, batendo minhas costas na parede. Minhas mãos foram algemadas, por precaução, aposto.
– Ela está armada, Joey! – ele falou pro cara que segurava Alfred, enquanto tirava a arma do suporte. – Quem é você, garota?
Olhei fundo nos olhos dele e soltei uma risada abafada.
– Sou apenas a garçonete. – falei, virando um chute em sua barriga.
O homem cambaleou para trás, tropeçando em uma caixa de papelão jogada no chão úmido. Joey soltou Alfred e correu para cima de mim, abraçando meu pescoço com força e apertando-o com os braços.
– Sai, seu idiota!
Dei um chute com meu salto em sua canela e antes que ele reagisse, segurei seu braço que me enforcava e com minhas duas mãos algemadas, torci-os com força, ouvindo um barulho vir de seus ossos. Virei meu corpo, já livre, de frente para ele e levei minhas mãos para seu queixo, ouvindo sua mandíbula estralar com força.
– CLARA! CUIDADO! – a voz de Alfred ecoou pelos meus ouvidos e logo em seguida distingui o barulho de uma arma sendo carregada a minha esquerda.
Em fração de segundos, virei meu corpo, puxando Joey com dificuldade para a minha frente. O barulho de tiro preencheu o beco e senti o corpo pesado de Joey cair sobre mim. Joguei-o para o lado, deixando-o cair morto no chão.
Encarei o policial que me segurava antes. Ele tinha a arma apontada em mãos e seu rosto expressava medo ao ver o amigo caído. Deixou a arma cair no chão e saiu correndo para a rua, provavelmente em busca de ajuda.
– Eu cuido dele. – falou Alfred, saindo correndo atrás do amigo de Joey.
Com dificuldade, tirei um grampo da cabeça e coloquei ele na boca, levando minas mãos até ele, onde encaixei as duas pontas na fechadura e comecei a girar o pequeno objeto com os dentes e língua, até ele se soltar de minha mão e aterrissar escandalosamente o chão.
Encarei Joey no chão. O sangue de seu peito já havia feito uma pequena poça. Senti uma coisa estranha em mim. Fazia anos que eu não via alguém morto de tão perto, fazia tempos que eu não me envolvia nesse tipo de briga.
Tentei expulsar esses pensamentos ridículos. Se minha mãe estivesse ali, com certeza diria que eu era fraca.
– Foco, Clara. – disse para mim mesma.
Deixei que os sentimentos de dó saíssem do meu corpo e voltei à estaca zero: não sentir nada. Não sentir dó, pena, rancor, arrependimento, muito menos compaixão, carinho, solidariedade ou amor. Eu só podia fazer uma coisa: agir. E no momento, pensava em como mataria Zayn Malik, a primeira missão minha que havia dado errado.




Olaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Está aí mais um cap :)
Gostaram? Sim? Não? Talvez?
Bom, eu espero que tenham gostado!
Muitoooo obrigada pelos comentários garotas
lindas do meu core!
Desculpem se tiver algum erro '-', não
revisei o cap entaum nem sei como ficou!
Mas sóoo isso mesmo!
O próximo  só segunda, ok?
Até lá!
Amo vcsssssss
Malikisses & Paynekisses
Lo <3




5 comentários:

  1. Aaaaaaah continua mana, Égua do capítulo arretado *-*

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  2. CARA POE MAIS PQ EU TO AMANDOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
    ELO SERIOS TA MUITO PERFEITOOOO! PÕEA MAIS!

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